Trump em seu labirinto

O que se previa como uma jornada negra nos mercados, o final não foi tão espantosa. Wall Street fechou a jornada com fortes ganhos, e o Dow Jones, seu principal indicador, subiu 1,40% e esteve a ponto de assinar um novo recorde histórico. Na Europa, o recebimento, o presidente eleito foi misto, com subidas generalizadas, mas com algumas gotas, como os 0,40 pontos que desceu o IBEX 35.
Se os mercados se deram a volta e corrigidas a aparente espiral de medo que percorreu os soalhos, véspera do dia das eleições, agora se abre um período de especulações em torno do qual vai ser o comportamento de Trump à frente da maquinaria governamental mais poderosa do planeta.
E agora?
Todos sabemos que uma coisa é o que se afirme, no calor da campanha eleitoral e outra, em geral, muito diferente, é o modo em que se actua, uma vez alcançado o poder. Se deixarmos de lado as medidas propostas pelo Trump e que afetam exclusivamente para os norte-americanos, como suas idéias relativas à saúde, fiscalidade ou educação, há outras que se vão ter um forte impacto internacional.
Seus três eixos de política econômica, ao menos os que tem colocado no calor da batalha eleitoral, centram-se na criação de 25 milhões de postos de trabalho em uma década, através de políticas que prioricen os produtos americanos e um plano de energia norte-americano. Neste capítulo propõe-se a imposição de novas taxas e tarifas comerciais que incidem sobre as importações e, além disso, fechar as fronteiras para melhorar os salários e a segurança dos norte-americanos.
Levantar barreiras
O protecionismo do que fez gala para conseguir o voto dos norte-americanos, especialmente os eleitores que vivem em estados eminentemente industriais e que sofreram em suas carnes, o doloroso processo de deslocamento, pode também ter seus efeitos nos diversos tratados de livre comércio movidos pela administração Obama. Os mentideros da capital norte-americano já se dá por morto oficialmente o TTIP, que também conta com fortes resistências, no lado europeu, e antecipa-se uma revisão do acordo comercial assinado entre os Estados Unidos e os países do Pacífico.
No caso de Portugal, o volume de nossas exportações para os Estados Unidos, representa aproximadamente 5% do total, pelo que o impacto imediato não parece que vá ser muito elevado. Além disso, Trump levantou uma multimilionária investimento em infra-estruturas, em que as empresas de nosso país, de setores como a construção ou o material ferroviário podem ter muito que dizer. A grande incógnita é saber o que vai fazer o resto do mundo se Donald Trump ativa mecanismos protecionistas que restringem o livre comércio para os Estados Unidos, o que pode desencadear uma reação em cadeia de barreiras comerciais, que pode afetar profundamente o dinamismo comercial internacional.

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