Os primeiros da classe

Em economias maduras, como é o caso das europeias, em que se conta um crescimento lento da população activa, a produtividade é um indicador fundamental para medir o desenvolvimento a longo prazo. No caso da zona euro este fator é particularmente importante, se tivermos em conta as estimativas da ONU apontam para uma queda da população em idade de trabalhar de 3,6%. Uma descida que poderia ser compensada, em parte, por um aumento da imigração na UE.
A Europa e a produtividade
No período compreendido entre 2012 e 2015, a Espanha e a Irlanda foram os países da zona euro em que mais cresceu a produtividade do trabalho, se temos em conta a relação entre o PIB e o número de horas trabalhadas, de acordo com o Global Economic Watch, elaborado pela PwC. No caso da Irlanda, este crescimento foi de 6,8% e no de Portugal foi muito mais modesto, ao ficar no ambiente de 2,5%. Em ambos os países, a produtividade cresceu acima da média dos países da zona euro, onde foi de 2%, e de outras economias como a Holanda -2,3%-, França -1,7%- e a Alemanha -1,6%-.
Este aumento da produtividade da área do euro tem sido possível graças à melhoria experimentada pelo setor industrial, o que tem causado um forte impacto tanto o aumento da concorrência, como a aplicação de novas tecnologias nos processos de fabricação. Em Portugal, a produtividade na indústria aumentou 5,2% contra 2,6% que melhorou no setor de serviços. Um avanço que, na Irlanda, foi muito mais acentuado, já que sua indústria tenha experimentado aumentos de produtividade de 12%.
Esta situação de dualidade, entre indústria e serviços europeus, tem uma de suas razões em que a UE ainda está longe de contar com um mercado único de serviços, tal como acontece com o de produtos. E, por outra parte, porque o setor de serviços é um pouco menos intensivo em mão-de-obra e conta com um menor impacto, do ponto de vista da aplicação de avanços tecnológicos. Também há que ter em conta, por exemplo, em setores como o financeiro, que desde a crise tem estado sujeito a um forte aumento da regulação, o que pode estar afetando-lhe, também, em termos de produtividade. Neste sentido, há um amplo campo de melhoria em toda a zona do Euro, já que 75% do PIB –e de horas trabalhadas – provém do setor de serviços.

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