Renzi em seu labirinto

As estatísticas muitas vezes têm dados ocultos que lançam sombra sobre a verdadeira realidade. O último exemplo temos nos dados de desemprego da Itália, onde a taxa de desemprego caiu duas décimas, até 11,4%, mas perderam 63.0000 postos de trabalho em um mês. A aparente paradoxo se explica porque cada vez mais italianos abandonam o mercado de trabalho diante das dificuldades extremas que têm para encontrar um emprego.
Os dados do Eurostat apontam para a Itália como o país europeu que mais trabalhadores tenham jogado a toalha, já que mais de um terço dos desempregados deixaram de procurar trabalho. Estes números são reabriu as discussões sobre se a reforma de trabalho implantada pelo executivo de Mateus Renzi serve ou não para criar postos de trabalho, mesmo que, por agora, a razão parece estar do lado dos que pensam que não serviu para nada.
Frentes
Embora a Itália saiu oficialmente de uma longa recessão no primeiro trimestre de 2015, na primeira metade de 2016 voltou a cair no crescimento zero: no segundo trimestre do ano cresceu magro, 015%, a metade do previsto pelo executivo de Roma. As principais razões da estagnação têm que ver com o comportamento da indústria, que recuou 0,4% em junho em relação a maio e de 1% em relação ao ano anterior.
A esta espiral de notícias desesperanzadoras se soma a falta de confiança empresarial. O Índice Istat revelou que este indicador diminuiu de 103 ao 99,4, enquanto que a confiança das famílias passou de 111,2 ao 109,2. Por agora, os principais centros de estudos italianos apontam que as previsões de crescimento estão a diminuir e que a Itália continuará instalada no crescimento zero até o final do ano.
Este nível de progresso económico perto do zero coloca a Itália em uma situação difícil frente a Bruxelas já que a Comissão Europeia já deu a Roma o ano passado uma revisão do objetivo do défice para 2017, elevando-a até 1,8% frente ao anterior 1,1 que se havia apresentado como objetivo inicial. Se a situação se prolonga por três trimestres, representa, para a Itália um aumento do PIB em todo o ano de 2016, de apenas 0,6%, metade do que havia previsto, o gabinete de Renzi. Como consequência, também em 2017 a economia transalpina não vai conseguir superar um crescimento de 1%, contra 1,4 esperado pelo Executivo.
Para aumentar a incerteza, o mês que vem foi convocado uma consulta sobre uma reforma constitucional que reforma das funções do Parlamento italiano e reforça os poderes do Executivo. Um referendo constitucional, que, no caso de que não vai continuar, pode provocar uma crise de governo que não faria senão aumentar o nervosismo em torno ao futuro econômico da Itália.

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