Brexit, zero hora

As dificuldades que o governo britânico vai ter que contornar com Bruxelas se vêem aumentada pelo fato de que no mesmo dia em que Theresa May pediu oficialmente o Brexit, o Parlamento da Escócia, deu luz verde a uma moção para autorizar o governo regional a que solicite a realização de um segundo referendo de independência, semelhante ao que já ocorreu em 2014, em que ganhou a opção de permanência no Reino Unido, com 55% dos votos.
Para justificar essa decisão, a ministra principal escocesa Nicola Sturgeon, disse que as circunstâncias mudaram agora que o Reino Unido deixou a UE, já que, naquele momento, o principal argumento esgrimido para paralisar a independência da escócia era a sua saída da Europa, um fato que agora se vai produzir de todas as maneiras, ao vencer a opção do Brexit no conjunto do Reino Unido, embora os escoceses votaram de forma majoritária por permanecer dentro da UE. Neste sentido, Nicola Sturgeon considera que “é necessário um novo referendo para permitir que a Escócia decidir qual o caminho a seguir diante da colocação em funcionamento do Brexit”.
A grande paradoxo
No meio desta situação, foi dado a conhecer o relatório Making the most of Brexit (Aproveitando o Brexit ao máximo), em que se analisa o impacto que terá o Brexit nas diferentes regiões britânicas, em função de quanto estas dependem das exportações para outras nações do bloco, ajudas de Bruxelas e de trabalhadores da UE. Paradoxalmente, conclui-se que “as regiões de Reino Unido que mais se votou a favor de abandonar a União Europeia podem ser as mais afetadas pelo Brexit”, e colocam-se como expoente máximo do país de Gales, que destina aos parceiros europeus 67% de suas exportações e o noroeste da Inglaterra, que o vende a UE 62% de seus bens.
Assim, “apesar de que votou de forma esmagadora a favor da saída da União Europeia, o país de Gales seria a região mais afetada”, conclui o relatório, que também aponta que “o estar sujeitas aos produtos britânicos pautas como os que enfrentam hoje os países que não são membros da UE, as indústrias que mais estariam em risco de serem afetadas seriam a agricultura, a silvicultura, a pesca, a mineração, pedreiras e indústria”, aponta o documento.

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