O que acontece com as economias emergentes?

A juízo do Banco Central Europeu, em um artigo de seu último boletim econômico, a moderação do crescimento dos emergentes responde a fatores estruturais, como “uma acumulação de capital, ganhos de produtividade e uma integração do comércio internacional cada vez menor”. Outros fatores adversos que têm em conta os especialistas do BCE são a debilidade da recuperação das economias avançadas, que travou a demanda externa, aumentou as descidas dos preços das matérias-primas, que têm afetado especialmente com o crescimento das economias exportadoras de matérias, e, por último, o endurecimento gradual das condições de financiamento em escala global a partir de 2013.
O efeito dos emergentes
De acordo com os dados que gerencia o BCE, “a desaceleração das economias emergentes já travou o crescimento mundial e teve um efeito adverso, embora moderado, sobre as exportações da zona do euro”. No entanto, apesar do impacto negativo que teve no resto do mundo, o arrefecimento dos emergentes foi compensado, em certa medida, pelo aumento da renda disponível das famílias, graças as quedas dos preços das matérias-primas. De cara ao futuro, “os riscos para as perspectivas das economias emergentes continuam em baixa. Uma nova desaceleração acentuada e de caráter generalizado das economias emergentes poderá ter um impacto negativo considerável sobre as perspectivas econômicas mundiais”.
O BCE considera que, depois de um aumento prolongado de vendas da UE para os emergentes durante a década de 2000, impulsionadas, principalmente, pelo aumento das exportações para a China, a taxa de envio de fora da zona do euro países emergentes se estabilizou em torno de 15%. “Em particular, a diminuição da demanda de China, Brasil e Rússia, teve um impacto negativo no crescimento das exportações da área do euro, compensada, em parte, pelo crescimento mais resistente em outras economias emergentes. Uma nova moderação da actividade económica nestes países passaria factura para a zona do euro”.
Os especialistas do BCE acreditam que “muitas economias emergentes estão se adaptando a uma nova realidade. Em várias delas, a desaceleração demonstrou problemas estruturais que limitam cada vez mais o potencial de crescimento, em outras, têm piorado os desequilíbrios macroeconómicos existentes”. Além disso, apontam que “é improvável que alguns destes desafios sejam superados rapidamente”. O atual processo de reajuste é necessário para garantir um crescimento sustentável no médio prazo, embora possivelmente a caminho de transição seja agitado e os riscos tendem a situar-se à baixa”. De cara ao futuro, “sim aumentam as incertezas sobre as perspectivas dos emergentes, provavelmente continuem sendo um risco-chave para a economia global”, conclui o documento do Banco Central Europeu.

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